Feromônio

A aula de Biologia estava um saco. Parecia infinita. Eu acompanhava a trajetória de uma largatixa na parede para me distrair um pouco. Até que algumas palavras que a professora falou se destacaram: atração sexual. Ela estava falando sobre feromônios.

– São substâncias químicas voláteis que estimulam o acasalamento.

Finalmente eu aprendi algo de útil na escola. Fiquei vidrado em todas as palavras que saíam da boca da bendita professora. Aquilo poderia ser a minha salvação!

Logo depois da aula, fui procurar mais informações sobre o assunto na internet. Dioguinho, que estava tão animado quanto eu, foi comigo. Demos sorte, porque logo o primeiro site que abrimos já vendia feromônios humanos masculinos.

Havia lá várias explicações científicas sobre o poder dessas substâncias:

“Você pode usar o feromônio como um perfume comum, pois ele vem aditivado com fragrância de baunilha. 9 entre 10 mulheres ficarão sexualmente atraídas por você (após a aplicação de uma gota do produto em cada sovaco)”

Combinei de meiar o ferô com o Dioguinho. Cada um deu 200 reais. A encomenda chegou lá em casa alguns dias depois. Tive que inventar uma desculpa para a minha mãe não desconfiar de nada. Disse que eram remédios para um colega meu que estava morrendo.

Eu estava ancioso. Fui correndo para o quarto testar o “produto”. Era um líquido branco e viscoso. O cheiro parecia uma mistura de baunilha com água sanitária. Entranhei um pouco, mas a empolgação de me transformar num “gigolô de aluguel” (Dioguinho inventou essa expressão) era grande.

Algumas borrifadas depois, fui confiante para a escola. Piscava para todas as meninas que via pela frente. O ferô estava fazendo efeito, pois elas riam de mim.

O meu objetivo durante aula foi conquistar a Claudinha – a menina mais bonita do colégio. Sentei do lado dela e fiquei só esperando ela me agarrar (ou pelo menos falar que me amava).

No meio da aula, meu coração disparou: a minha gatinha linda levantou-se e pediu a palavra para a professora. Com certeza ela iria falar que me amava pra todo mundo. Fiquei até vermelho só pela expectativa daquela declaração:

– Professora, o Dioguinho ta fedendo água sanitária. Pede pra ele sair da sala!”. Então ela começou a abanar a mão na altura do nariz, fazendo uma cara ruim.




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