Macaquices no zoológico

Esse ano, nossa turma iria fazer uma excursão para o zoológico. Ia ser muito chato, preferia mil vezes uma excursão para a Disney. Fiquei triste.

Um dia antes da excursão, tive uma idéia boa, que ia animar aquela chatice. Peguei o dinheiro da minha mesada e depois da aula passei em uma loja que vendia fantasias. De cara, vi uma muito doida de gorila. Na mesma hora comprei a fantasia. Me imaginei vestido com ela no zoológico, assustando todo mundo. Ia ser da hora!

No dia da excursão, escondi a fantasia na mochila e fui para o ônibus fingindo que estava tudo normal. Mas eu não via a hora de assustar todo mundo. Quando as meninas vissem que era eu, iam ficar todas a fim de mim!

O pessoal fez uma fila atrás da professora, que iria explicar o que fazia cada animal. Enquanto isso, fui escondido para o banheiro me vestir de gorila. Olhei no espelho: eu estava muito do mal!

Saí andando por trás das jaulas para que ninguém me visse. Andei pra caralho, porque a jaula dos macacos era a última. Como eu sou gente, foi fácil abrir o portão e entrar. Olhei ao redor para confirmar que ninguém tinha me visto.

Quando eu virei, tinha três macacos passando a mão em mim, parecendo uns veados. Fiz com o dedo do meio o sinal de “vai tomar no cu” e fui pro outro lado da jaula. Eles foram atrás de mim.

Como eu sou macho, não deixei barato – comecei a embicudar os macacos. Um já saiu mancando como se fosse uma bicha. Os outros começaram a me dar uns tapas fortes nas costas e na cara. Eu já ia chorar, mas lembrei que não podia, se não as meninas da minha sala iam achar que eu era gay.

Fiquei com raiva. Juntei bastante força e dei um socão na cara de um. Ele caiu. Dei mais um soco de mão fechada na cara peluda do outro. Saiu muito sangue. Aí eu percebi que os macacos eram uns colegas meus fantasiados.

Fiquei com medo de continuar na jaula depois do massacre. Para não perder o espírito da brincadeira (sou muito brincalhão), saí de lá imitando gorila, fazendo barulhos bem realistas com a boca e andando arrastando a mao no chão. Fiquei feliz, porque as pessoas do zoológico ficaram assustadas.

De repente eu vi o povo da minha sala e fui correndo pra cima deles. Atrás de mim estava um cara do zoológico gritando “macaco assassino, macaco assassino!”. As meninas ficaram com medo e se espalharam. Alguém colocou o pé na minha frente e eu caí. Esfolei o joelho todo.

Segundos depois, o cara do zoológico deu um pulão em cima de mim pra me segurar, berrando “me ajuda meninada, me ajuda!”. Os meninos da minha sala começaram a me embicudar na barriga, nas costas e no rabo. O cara do zoológico gritava “cuidado, gente, que o bicho é bravo!”, enquanto me batia com um chicote.

Depois que viram que era eu, a minha professora até brincou:

– É, esse foi um verdadeiro “sossega macaco” hein Rogerinho!

Eu respondi que foi mesmo, mas não consegui segurar a lágrima que desceu do meu olho.




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