Archive for the ‘As aventuras de Rogerinho’ Category

DVD

Quando o meu pai comprou o aparelho de DVD daqui de casa, fiquei muito empolgado. Peguei todo o dinheiro da minha mesada pra comprar alguns filmes.

Fui em uma banca de jornal aqui perto de casa. Perguntei pro velho da banca:

– Você tem revista com DVD aí?

O cara me mostrou um canto da banca com algumas revistas. Mas eram fudidas… Umas bandas que acabaram na época do meu pai, filmes tão ruins que não passam nem na Sessão da Tarde… Mas foi só olhar pro lado e eu me empolguei:

– Agora eu gostei! Que beleza esses DVDs pornôs… Só mulher gostosa!

Comecei a babar. Eram muitos filmes bons. Separei um da Silvia Saint no cantinho e depois peguei mais 5 de música pra disfarçar. É claro que na hora de pagar eu coloquei o da Silvinha lá no meio.

Com todos os discos na mochila, voltei feliz pra casa. Coloquei o DVD da Silvia num lugar bem escondido – em cima do meu guarda-roupa. Estava só esperando o pessoal todo lá de casa sair. Mas os putos daquele povo não sairam, e eu tive que ir pra escola.

Quando voltei, fui procurar o vídeo da minha gata maravilhosa. Eu fiquei assustado, porque ele não estava mais lá. Virei pra trás e meu pai estava com o DVD na mão. Colocou a mão no meu ombro e disse:

– Filho, você está crescendo. Mas a sua mãe mora aqui em casa e ela merece respeito. Por isso, vou usar esse DVD até você completar 21 anos. Aí eu devolvo pra você.

Eu falei: vou cobrar hem pai, aí ele falou que eu não ia cobrar é nada, tirou o cinto e me bateu.

Camelo

Um dia acordei e percebi que virei camelo. Até aí tudo bem. O ruim foi quando eu fui pra escola: o povo ficou dizendo que eu tinha as bolas em cima das costas…

Barulho

Eu estava andando de bicicleta quando comecei a ouvir um barulho. Parecia um motor de avião. Mas olhei ao meu redor e estava tudo vazio. Notei que aquele som parecia sair da bicicleta, e ficava cada vez mais alto. Quando eu já não estava agüentando mais aquela merda, acordei e descobri que o barulho era eu roncando.

Matando aula

– Puta que pariu, mas que aula chata! Vou matar…

Fui direto para o pátio bater uma bolinha. Mas alegria de pobre dura pouco: a diretora começou a gritar o meu nome. Num ato de puro instinto, saí da quadra de mansinho, fingindo que não a ouvia.

Mas a velha mandou o segurança da escola me buscar. Me escondi no banheiro e subi pela tubulação do ar. Por azar, o teto se rompeu e caí bem na sala dela.

Pensei que iria tomar uma grande torra, mas apareceu um ET verde de 8 metros e raptou a diretora antes que ela me xingasse. Na mesma hora virei fã do ET. Tive até um infarto com toda aquela emoção.

Fui levado às pressas para o hospital e fiz uma cirurgia de 15 horas para reconstituir meu coração. Senti fortes dores, já que o anestesista também havia sido raptado pelo ET.

Papai Noel

Meu pai disse que Papai Noel existe. Que otário… Já cansei de ver ele vestido de roupa vermelha e barba branca no natal. Ele pode até enganar o meu irmão, mas eu não caio mais nessa.

– Será que você vai ganhar o seu presente, Rogerinho? O Papai Noel vai olhar se você foi bem na escola, hem!

Bobobó bobobó bobó bobó… “O Papai Noel vai olhar se você foi bem na escola, hem!”. Era véspera de natal. O meu pai colocou pra tocar o dia inteiro umas músicas características. Que saco! Já tinha até decorado a letra de tanto ouvir aquilo: “Então é natal, o que você fez…”. É… Ele ia ver o que eu ia fazer!

Quando era perto da meia-noite, me escondi atrás do sofá da sala. Eu ia desmascarar o meu pai. Levei o meu taco de basebol para me defender (o meu pai podia se irritar ao ser descoberto). Estava tudo escuro. Todo mundo tinha ido dormir.

Ouvi um barulho vindo da porta dos fundos. Com certeza era o safado do meu pai. Ele estava ridículo com aquela fantasia de Papai Noel! Eu só não rir alto para ele não perceber que eu estava escondido. Ele ia ter uma grande surpresa. Ah, se ia!

Enquanto ele colocava os presentes debaixo da árvore, me aproximei rapidamente com o bastão empunhado. Rapidamente, puxei aquela barba branca escrota para desmascará-lo. Mas a merda da barba estava muito bem colada – não saía de jeito nenhum.

O suposto Papai Noel, em um movimento de reflexo, tomou o bastão da minha mão.

– Tá doido, menino? Agora você vai ver uma coisa!

Fiquei assustado, porque nem a voz nem a barriga dele parecia com a do meu pai. Podia ser um ladrão fingindo que era o Papai Noel.

Tentei correr para os fundos da casa, mas o velho me segurou e tampou a minha boca. epois, abriu cuidadosamente a porta e me levou pra rua. Amarrou-me cuidadosamente na frente de um treno. Disse que eu o atrasei e agora teria que ajudá-lo a entregar os presentes.

Ele tirou o cinto e ficou segurando a calça pra ela não cair. Sentou no trenó e começou a bater em mim com o cinto. Gritava ho ho ho, ho ho ho, como se aquela situação humilhante a que ele me submeteu fosse divertida pra ele.

Eu perguntei: “E os veadinhos?”. Ele disse que eles não iam trabalhar esse ano porque estavam comemorando o título do Cruzeiro. Eu ri. Já não estava mais com raiva. Ele tinha um grande senso de humor.

O trenó voava mais rápido a cada chicotada que ele me dava. Parecia um sonho. Conversamos muito durante a viagem ao redor do mundo. Foi uma ótima oportunidade que tive de enriquecer culturalmente.

Quando tínhamos acabado todas as encomendas, o Papai Noel puxou as minhas rédeas pra me deixar na porta de casa. Na certa ele ia perguntar o que eu ia querer de presente. Depois de ajudar tanto, ele devia querer me dar um presentão!

Quando pousamos, ele perguntou se eu fui bem na escola durante o ano. Eu respondi que mais-ou-menos. Ele deu uma risada gostosa:

– Mais ou menos não ganha presente!

Jogo de palavras

Esse livro de humor é demais! Muito da hora… Na biblioteca eu delirava de tanto rir. Já sei! Vou usar essas piadas com os meus colegas! Vai ser chique!

Fui para a quadra. Os meninos da minha sala estavam jogando futebol. Fingi que ia ficar de primeira. Eu estava doido pra zoar a cara deles! Todo mundo ia me achar muito legal… Iam morrer de rir.

– Não corre não, Dioguinho. Só caminha!

Todo mundo riu. Quem estava do lado começou a repetir o que eu falei (me senti muito bem com aquilo). Aquela foi a minha consagração. Já me preparava para a próxima.

Cutuquei o Felipinho, como quem não quer nada:

– Felipinho, e a onça?

O coitado fez uma cara de quem não entendeu.

– Que onça?
– Aquela pintada que eu te dei!

Todo mundo que estava perto caiu na gargalhada, inclusive eu. Estava achando muito bom essa história de ser comediante – agora eu era o centro das atenções.

Percebi o Marcelinho vindo sentar do meu lado. É claro que eu não perdi a oportunidade de fazer graça. Assim que ele se abaixou, eu levantei.

– Pô Marcelinho, mal saí e você sentou na minha levantada!

Mais uma explosão de risos. Naquele dia eu estava mesmo impagável.

O time do Geraldinho perdeu e ele veio pra perto de mim fazer primeira. Pra tirar uma onda com aquele chatão, puxei uma conversa:

– Geraldinho, você sabe por que todo viado tem amnésia?

Inocentemente ele respondeu que não.

– Já esqueceu, né?

O pessoal achou tanta graça que eu quase voltei carregado para a sala. Todo mundo estava babando o meu ovo.

Depois daquele dia maravilhoso, voltei pra casa me achando o máximo. Eu já planejava fazer uma piadinha com o meu pai. Hahaha, eu ia rir muito na cara dele! Ia ser muito engraçado!

Encontrei-o no banheiro, fazendo a barba. Porém, mal tive tempo de falar alguma coisa e ele me perguntou (continuou olhando para o espelho):

– Filho, qual é o nome daquela nova lâmina da Gillete?
– Metch 3, ue!

Eu estava usando um shortinho de jogar futebol. Na mesma hora ele meteu 3 dedos no meu cu e começou a rir.

Banda Br’oz

– Popstars: a sua única chance!

Se liga, véi, se liga! – Eu falava com o narrador da televisão. Até parece… Se eu quiser eu faço uma banda muito melhor que essa do Popstars. Muito melhor…

Chamei o Dioguinho, o Marcelinho e o Felipinho. Depois de avaliarmos as habilidades de cada um, combinamos o que cada um iria fazer. Eu seria o cara bonito da banda – aquele com quem todas as meninas querem ficar; Dioguinho seria o loirinho meigo; Marcelinho ia ser o mauzão; Felipinho seria o dono da banda – pagaria tudo que precisássemos.

– Mas e os intrumentos? Alguém sabe tocar alguma coisa?

Ninguém sabia. Mas isso não era problema. Dei a sugestão de sermos covers do Br’oz. Era só colocar o CD pra tocar que nós dublaríamos (ninguém iria perceber que não era a gente que estava tocando).

Com a banda formada, começamos a fazer as propagandas do nosso show. Colocamos faixas e cartazes por toda a escola e até na rua. Ficaram legais. Felipinho bolou o texto:

“Banda Br’az – o show do ano!”

Ele é um gênio – fez o “a” igualzinho a um “o” para parecer que era “Br’oz”!

Todo mundo do colégio começou a comentar. Uns combinavam com os outros de irem ao show. As meninas não paravam quietas:

– Nossa, os meninos daquela banda são lindos! Maravilhosos!

Estávamos até lisonjeados com o nosso sucesso antes mesmo da primeira apresentação. Ensaiamos bastante na casa do Dioguinho para que nada desse errado – não podíamos decepcionar nossos fãs.

O dia do show foi um dos mais emocionantes das nossas vidas. Entramos no auditório e logo vaiados. Todos gritando “queremos Br’oz, queremos Br’oz” e a gente lá em cima, sem saber o que fazer.

De repente, muitos aplausos e gritos histéricos. Voltamos a ter esperança. Felipinho apertou o “play” para começarmos o show. Quando os verdadeiros membros do Br’oz subiram no palco percebemos o porquê da platéia estar animada. Um dos integrantes me segurou pelo pescoço:

– O que vocês pensam que estão fazendo?

Mal deu tempo de eu responder e o cara já me empurrou no chão. Os meus colegas de banda cover não estavam em situação melhor – cada um era agredido pelo equivalente do Br’oz. Apanhamos na frente de todo mundo lá no palco e ninguém fez nada.

Quando os covardes daquela banda de gays foram embora, somente um senhor de bom coração foi lá nos ajudar. Ele nos levantou do chão. Concluiu dizendo:

– Sou o advogado da banda Br’oz. Vocês serão processados por falsidade ideológica. Passar bem.

Palavrão

– Vai tomar no olho do seu cu!

Eu falava aquilo todo orgulhoso, cheio de convicção. Os palavrões foram chegando aos poucos no colégio, sem a gente perceber. Agora já estava daquele jeito, todo mundo falando palavrão a torto e a direito. Qualquer discussão já era motivo para mostrar o repertório de xingamentos:

– Não vai devolver a borracha? Então vai pra puta que te pariu!

Os professores nem estranhavam mais. Pelo contrário. Até passaram a falar palavrão durante as aulas:

– Ô caralho, vão calar a boca ou eu vou ter que enfiar uma rolha no cu de vocês?

Quase sem ver, fui levando o hábito dos palavrões pra dentro de casa:

– Que porra, mãe! Não quero almoçar, caralho!

Eu xingava muito a minha mãe, mas com meu pai era diferente. Não falava nada na frente dele, com medo de ser castigado (meu pai é um arregaçado). Até que um dia eu soltei um palavrão sem querer:

– Não quero ir pra escola hoje.
– Você vai sim, que eu tô mandando!
– Vou não… Seu filho da puta!

Quando ouviu aquilo, ele ficou alterado:

– Ah, é?… Agora você vai ver quem é que é filho da puta.

Ele me puxou pelo braço e me levou até o carro. Foi dirigindo até o centro da cidade. Ninguém falava nada. Quando vi, estávamos na rua Guajajaras. Ele parou o carro na frente de um “hotel” e foi me puxando até lá dentro. Disse à recepcionista que queria falar com a dona. Pouco tempo depois, apareceu uma mulher toda maquiada, usando roupas curtas.

– Aí sua mãe, Rogerinho. Você é adotado. Quem é filho da puta agora?

Meu pai disse aquilo rindo na minha cara. Por um momento eu quis acreditar que não era verdade, mas quando a dona me abraçou e começou a chorar eu perdi a esperança.

Apaixonado

Não acreditava que aquilo estava acontecendo: eu estava acordando mais cedo, passando gel e me vestindo bem só pra ir pro colégio. Não era possível… Será que eu estava apaixonado?

Não tinha dúvida, eu estava. A dúvida era outra: será que ela – a Renatinha – gostava de mim? Renatinha… Renatinha… Eu repetia aquele nome lindo dentro da minha cabeça e pensava naquele rosto encantador o tempo todo.

Na escola eu estava decidido – era agora ou nunca. Era com a Renatinha que eu queria ficar o tempo todo. Poderia ficar o dia inteiro só por conta de admirar a sua beleza. Era ela quem eu amava.

Resolvi chamá-la para ir ao clube. Eu estava com medo. E se ela aceitasse?

– Claro, por que não?

Quando os lábios doces da minha amada disseram aquilo eu quase não agüentei de emoção. Só não saí pulando e comemorando ali, na frente dela, porque seria uma falta de respeito.

Depois não teve mais aula, exercício, não teve mais nada. Era só eu imaginando o que iria acontecer no clube. Faltava pouco tempo, muito pouco… Quando o sinal bateu eu vi que aquele dia seria um verdadeiro “teste pra cardíaco”. Não sabia como o meu coração agüentaria. Seria o dia mais feliz da minha vida.

No caminho para o clube, consegui ir conversando com ela – o que só serviu para aumentar o meu amor e a minha admiração. Ela gostava de tudo que eu gostava: Jota Quest, pegadinhas da Rede TV, Mamonas Assassinas… Não tive dúvida que era com aquela mulher que eu queria passar o resto da vida.

Ao chegarmos no clube, a minha expectativa aumentou. Eu só estava esperando a hora certa pra pedir pra ficar com ela. Estava nervoso. Não sabia o que e nem como eu iria falar, só sabia que eu tinha que fazer aquilo de qualquer jeito.

Quando ela estava tirando a roupa para entrar na piscina, eu comecei:

– Renatinha…
– O que, Rogerinho?
– Eu tenho uma coisa pra te falar…
– Ah é? Então fala…

Eu olhava para o chão, envergonhado. Pensava comigo mesmo como seria a pergunta final. “Quer ficar comigo?”, “Eu posso te dar um beijo?”… Ah, quer saber? Vou beijá-la sem perguntar nada! É isso que eu vou fazer!

Quando levantei o rosto, vi do lado dela um cara de mais ou menos 25 anos. Ela:

– Rogerinho, esse é o Marcos, meu namorado. Marcos, esse é o Rogerinho.

Na mesma hora dei um sorrisinho – mais porque eu estava acostumado em fazer aquilo quando conhecia alguém. Porém, não consegui esconder a tristeza. Meu coração partiu quando apertei a mão daquele desgraçado-filha-da-puta-corno-do-cu-relaxado.

Hoje não!

De um dia pro outro o “hoje não” virou uma mania na escola. Eu já estava marcado com quase todos os meninos da sala. A primeira semana da brincadeira foi boa – eu sempre ia preparado. Entre porradas dadas e recebidas, todos saíam felizes.

Mas numa segunda-feira, cheguei na escola e não encontrei quase ninguém na portaria. De qualquer maneira, fiquei prevenido para dar “hoje não” em quem chegasse.

Vi o Felipinho se aproximando de longe e me escondi atrás de uma árvore. Quando ele procurasse por mim, eu daria nele uma voadora nas costas com os dois pés.

Tomando distância para o golpe fulminante, senti duas mãos frias em cima da minha boca, que surgiram por trás dos meus ombros. Olhei preocupado para os lados. Apareceram na minha frente o Breninho e o Geraldinho. Eles gritaram “hoje não!”. Eu também tentei gritar, mas estava com a boca tampada. Quem estava me segurando gritou em seguida – percebi que era o Marcelinho.

Eles começaram a me bater, aproveitando que eu estava imobilizado. No início eram só uns socos fortes no meu braço, mas depois se empolgaram e começaram a bater na boca do estômago. Enquanto isso, Marcelinho não perdia tempo e me dava umas joelhadas por trás.

Comecei a ficar sem fôlego por causa do meu problema de asma. A última coisa que eu vi na minha frente foi o Felipinho chegando, junto com o porteiro do colégio. Os meninos me largaram e só então eu pude falar “hoje não!”, quase sem ar para respirar.

De uma hora pra outra achei que tinha ficado surdo. Um grande silêncio tomou conta do ambiente. Passei a enxergar tudo infinitamente branco. Percebi que estava num lugar estranho – agora eu não sentia mais dor.

Comecei a andar por algo que parecia um corredor. Uma luz branca e muito brilhante não permitia que eu distingüisse bem as coisas. Encontrei, na frente de uma porta, um velho barburo todo vestido de branco. Seu rosto transmitia muita paz. Perguntei emocionado:

– São Pedro, é o senhor?

Ele deu uma risada.

– Não, mas bem que eu gostaria… Agora volta pro seu quarto. Não é hora de criança ficar andando pelo corredor do hospital!

Feromônio

A aula de Biologia estava um saco. Parecia infinita. Eu acompanhava a trajetória de uma largatixa na parede para me distrair um pouco. Até que algumas palavras que a professora falou se destacaram: atração sexual. Ela estava falando sobre feromônios.

– São substâncias químicas voláteis que estimulam o acasalamento.

Finalmente eu aprendi algo de útil na escola. Fiquei vidrado em todas as palavras que saíam da boca da bendita professora. Aquilo poderia ser a minha salvação!

Logo depois da aula, fui procurar mais informações sobre o assunto na internet. Dioguinho, que estava tão animado quanto eu, foi comigo. Demos sorte, porque logo o primeiro site que abrimos já vendia feromônios humanos masculinos.

Havia lá várias explicações científicas sobre o poder dessas substâncias:

“Você pode usar o feromônio como um perfume comum, pois ele vem aditivado com fragrância de baunilha. 9 entre 10 mulheres ficarão sexualmente atraídas por você (após a aplicação de uma gota do produto em cada sovaco)”

Combinei de meiar o ferô com o Dioguinho. Cada um deu 200 reais. A encomenda chegou lá em casa alguns dias depois. Tive que inventar uma desculpa para a minha mãe não desconfiar de nada. Disse que eram remédios para um colega meu que estava morrendo.

Eu estava ancioso. Fui correndo para o quarto testar o “produto”. Era um líquido branco e viscoso. O cheiro parecia uma mistura de baunilha com água sanitária. Entranhei um pouco, mas a empolgação de me transformar num “gigolô de aluguel” (Dioguinho inventou essa expressão) era grande.

Algumas borrifadas depois, fui confiante para a escola. Piscava para todas as meninas que via pela frente. O ferô estava fazendo efeito, pois elas riam de mim.

O meu objetivo durante aula foi conquistar a Claudinha – a menina mais bonita do colégio. Sentei do lado dela e fiquei só esperando ela me agarrar (ou pelo menos falar que me amava).

No meio da aula, meu coração disparou: a minha gatinha linda levantou-se e pediu a palavra para a professora. Com certeza ela iria falar que me amava pra todo mundo. Fiquei até vermelho só pela expectativa daquela declaração:

– Professora, o Dioguinho ta fedendo água sanitária. Pede pra ele sair da sala!”. Então ela começou a abanar a mão na altura do nariz, fazendo uma cara ruim.

Incriminando o pai

Era horário do recreio quando surgiu o assunto. Cada um começou a falar como era o seu pai. Até que perguntaram sobre o meu. Falei que não gostava dele porque ele me batia muito. Na verdade, eu o odiava porque ele me batia por qualquer motivo. Não era justo ele bater nos outros assim, de graça.

Marcelinho, um colega meu que queria fazer Direito, deu a idéia:

– Por que você não incrimina ele? É só conseguir provas de que ele bate em você!

Ele disse que tinha uma câmera. Era só escondê-la em algum lugar enquanto o meu pai me batia. Aí eu teria a prova que tanto precisava para ficar livre de uma vez das surras que eu levava.

No dia seguinte, Marcelinho trouxe a câmera. Eu o agradeci muito. Ele ainda deu uma sugestão:

– Faça cocô na cama dele e xingue-o quando ele vier bater em você. Será uma grande surra, mas será a última.

Fiquei grato pelo conselho. Em casa, segui o esquema à risca. Durante o almoço fui para o quarto do meu pai e desci o barrão na cama. A câmera estava registrando tudo. Quando ele chegou, durante alguns segundos parecia que não acreditava no que via. Eu fiquei esperando a torra:

– Rogerinho, o que é isso?! Você está louco, meu filho?!

Mandei ele tomar no cu. Ele, mais do que depressa, tirou o cinto para me bater. Bateu forte, mas eu agüentei porque sabia que aquela seria a última vez.

A primeira coisa que eu fiz no dia seguinte foi entregar a câmera e a fita para o Marcelinho. Me senti muito aliviado ao passar aquele material para as mãos dele. Ele disse que se encarregaria de fazer a denúncia.

Eu estava muito animado na hora do intervalo e resolvi jogar futebol. Mas não tinha gente nem pra completar um time. O pátio estava quase vazio.

Voltei para a sala. Pela janela, vi que estava quase o colégio inteiro lá. No telão passavam as cenas gravadas por mim no dia anterior: eu cagando e o meu pai me batendo. Estavam todos rindo às minhas custas, enquanto eu chorava.

Guguinha

Eu estava andando na rua e vi um gato bege, com um pêlo bem bonito. Ele começou a miar pra mim, se esfregar na minha perna, querendo que eu passasse a mão nele. Não resisti: peguei no colo e levei pra casa.

Ele gostou de mim, porque não me arranhou e nem quis fugir. Deve até ter achado bom. Dei graças a Deus quando cheguei em casa e vi que estava vazia (meu pai mataria eu e o gato se visse nós dois).

Resolvi deixar ele no meu quarto só por aquele dia. Coloquei uma vasilhinha com água e outra com comida em baixo da cama. No dia seguinte eu contaria sobre o gato pros meus pais. Quando eles vissem que eu estava cuidando bem do bicho, me achariam responsável e deixariam eu ficar com ele.

Peguei uma bolinha de tênis e comecei a brincar com o gatinho. Logo vi que ele tinha tino pra coisa: segurava todas as bolas que eu mandava. Ia ser um grande campeão. Chamei-o de Guga.

Levei-o para fazer um tour pela sua nova residência. Ele adorou o banheiro. Tanto é que não parava de beber água da privada. Devia estar procurando peixes; fiquei orgulhoso do meu Guga ser caçador.

Enquanto eu fui pra sala, ele voltou pro quarto. Queria fazer uma surpresa pro gato: quando ele visse o peixinho do meu pai na privada, ficaria até doido! Eu daria a desculpa de que o peixe pulou do aquário e morreu. Ele nunca iria desconfiar de nada!

Na volta pro quarto, eu que tive a surpresa. Descobri que o Guga também tinha vocação para alpinista: subiu no guarda-roupa sozinho, somente com as garras!

Empolguei-me bastante com a descoberta de tantas habilidades. A primeira coisa que pensei foi em levá-lo na TV, no “Se vira nos 30”. Guguinha poderia gerar muita renda pra minha família. Eu nem precisaria de estudar! A felicidade era tanta que eu não parava de beijar o gato.

Ele era tão espirituoso que parecia treinado – fazia festa pra mim, subia nos móveis, pedia carinho… só faltava falar! Fiquei a tarde e a noite inteira trancado no quarto para que o pessoal lá de casa não o visse. Recusei o lanche várias vezes:

– Não, mãe, pára de encher o saco! Não quero comer, pô!

Dormi com o Guga embaixo do lençol. O pêlo dele era tão macio e gostoso que parecia um travesseiro. Pela manhã, deixei a porta do meu quarto aberta para não levantar suspeitas. Coloquei o gato em uma gaveta do guarda-roupas. Nunca desconfiariam dele lá! Falei baixinho:

– Calma, Guguinha, é so hoje…

A tarde, quando voltei da escola, fui correndo para o quarto. Minha mãe estava sentada na minha cama, e meu pai ao lado, conversando com ela. Parecia que estavam preocupados com alguma coisa. Quando me viu, meu pai colocou a mão nas minhas costas. Disse bem sério:

– O que tem acontecido com você, filho?

Eu disse que não estava acontecendo nada (a minha voz nem saía direito, de medo). Ele continuou:

– Rogerinho, você está passando por uma fase difícil, a adolescência, mas nada justifica o que você fez – ficar o dia inteiro trancado, arranhar os móveis e ainda por cima fazer cocô no chão! (apontou para um cocô do gato).

Quase sem voz eu respondi, ainda com esperança de esclarecer a situação:

– Calma, espera que vocês vão entender tudo!

Fui até o guarda-roupas e abri a gaveta onde Guga estava escondido. Um cheiro insuportável de gato morto tomou conta da casa toda.

Atacado pelo cão

Um dia eu estava voltando da aula a pé com o meu pai. Ele disse que estava passando perto da escola e resolveu me esperar para irmos embora juntos.

Naquele dia ele estava muito diferente. Estava conversando comigo, querendo saber como tinha sido meu dia na escola… Perguntei por que ele estava fazendo aquilo, e ele respondeu que era porque tinha feito muitas besteiras e agora queria ser um bom pai. Achei bom quando ele falou aquilo.

Quando íamos atravessar a rua, um cachorro chegou perto da gente. Era magro e pela cara parecia ser bravo. Eu e meu pai continuamos andando normalmente, mas o cachorro começou a rosnar. Meu pai parou de andar, e eu também.

Eu fiquei com medo. Meu pai olhou pra mim e disse com voz grossa:

– Demonstra medo não, demonstra medo não! Se não é que ele te morde mesmo! Arranca pedaço seu!

O cachorro começou a latir e a querer avançar em mim. Eu fiquei mais assustado ainda, sem saber o que fazer. Segurei o choro porque meu pai estava perto. Ele deu um pulinho pra trás para se afastar da mordida que o cachorro deu na minha canela. Só depois é que o meu pai dobrou o jornal e bateu na cabeça do bicho, que largou a minha canela e foi embora. Depois disso eu nem consegui respirar direito.

Meu pai foi caminhando e eu mancando para o hospital. O enfermeiro desinfetou e depois enfaixou a minha perna. Depois eu tomei uma injeção na bunda pra não pegar raiva.

Em casa, fiquei de cama para me recuperar da mordida. Eu estava tentando dormir, querendo esquecer daquilo tudo. De repente, ouvi um barulhão de cachorro latindo e senti uma pressão no pé. Acordei dias depois no hospital. Fiquei sabendo que tive um ataque do coração depois da brincadeira que o meu pai fez – entrar no meu quarto escondido fingindo que era cachorro.

Computador novo

A professora ia entregar os boletins no final da aula. Quando ela falou isso, não consegui pensar em mais nada. Eu estava preocupado, porque não tinha estudado muito. Meu pai tinha falado que se eu ficasse acima da média, ele me daria um computador novo. Mas eu estava com medo de perder média e ele me bater.

Deitei o rosto na carteira e fiquei esperando o tempo passar. Não era possível que eu perderia média! Eu tinha ido mal em umas provas, mas tirei total em quase todos os trabalhos (não sou bobo é nada, sempre pego grupos bons).

Acordei com a professora chamando Rogério Fonseca, Rogério Fonseca. Fiquei com muita adrenalina da hora. Eu ia saber se ganharia o computador ou apanharia do meu pai.

Levantei da cadeira e andei como se tivesse despreocupado, olhando para os lados. Peguei o boletim. Fiquei muito feliz quando vi que não tinha perdido nenhuma média. Até já imaginava os novos joguinhos que eu ia comprar para a minha nova máquina possante!

Em casa, a primeira coisa que eu fiz foi procurar o meu pai para mostrar as notas. Ele me deu os parabéns. Quis cobrar dele o computador, mas não falei nada com medo que ele ficasse bravo. Ele disse:

– Rogerinho, amanhã mesmo eu compro o que eu prometi pra você.

Fiquei muito feliz. À noite, não consegui nem dormir. Na escola, só pensava no computador. Voltei correndo pra casa.

No meu quarto estava um negócio que parecia uma calculadora gigante, com um teclado imitando o de um computador (estava escrito no alto “Pense Bem” e embaixo “Tectoy”). Liguei pra ver o que aquilo fazia. Só dava pra tocar piano e jogar o jogo da forca. Do lado, tinha um bilhete escrito “Parabéns, filho. Aproveite o seu novo computador”. Nessa hora eu quis que o meu pai morresse.

Macaquices no zoológico

Esse ano, nossa turma iria fazer uma excursão para o zoológico. Ia ser muito chato, preferia mil vezes uma excursão para a Disney. Fiquei triste.

Um dia antes da excursão, tive uma idéia boa, que ia animar aquela chatice. Peguei o dinheiro da minha mesada e depois da aula passei em uma loja que vendia fantasias. De cara, vi uma muito doida de gorila. Na mesma hora comprei a fantasia. Me imaginei vestido com ela no zoológico, assustando todo mundo. Ia ser da hora!

No dia da excursão, escondi a fantasia na mochila e fui para o ônibus fingindo que estava tudo normal. Mas eu não via a hora de assustar todo mundo. Quando as meninas vissem que era eu, iam ficar todas a fim de mim!

O pessoal fez uma fila atrás da professora, que iria explicar o que fazia cada animal. Enquanto isso, fui escondido para o banheiro me vestir de gorila. Olhei no espelho: eu estava muito do mal!

Saí andando por trás das jaulas para que ninguém me visse. Andei pra caralho, porque a jaula dos macacos era a última. Como eu sou gente, foi fácil abrir o portão e entrar. Olhei ao redor para confirmar que ninguém tinha me visto.

Quando eu virei, tinha três macacos passando a mão em mim, parecendo uns veados. Fiz com o dedo do meio o sinal de “vai tomar no cu” e fui pro outro lado da jaula. Eles foram atrás de mim.

Como eu sou macho, não deixei barato – comecei a embicudar os macacos. Um já saiu mancando como se fosse uma bicha. Os outros começaram a me dar uns tapas fortes nas costas e na cara. Eu já ia chorar, mas lembrei que não podia, se não as meninas da minha sala iam achar que eu era gay.

Fiquei com raiva. Juntei bastante força e dei um socão na cara de um. Ele caiu. Dei mais um soco de mão fechada na cara peluda do outro. Saiu muito sangue. Aí eu percebi que os macacos eram uns colegas meus fantasiados.

Fiquei com medo de continuar na jaula depois do massacre. Para não perder o espírito da brincadeira (sou muito brincalhão), saí de lá imitando gorila, fazendo barulhos bem realistas com a boca e andando arrastando a mao no chão. Fiquei feliz, porque as pessoas do zoológico ficaram assustadas.

De repente eu vi o povo da minha sala e fui correndo pra cima deles. Atrás de mim estava um cara do zoológico gritando “macaco assassino, macaco assassino!”. As meninas ficaram com medo e se espalharam. Alguém colocou o pé na minha frente e eu caí. Esfolei o joelho todo.

Segundos depois, o cara do zoológico deu um pulão em cima de mim pra me segurar, berrando “me ajuda meninada, me ajuda!”. Os meninos da minha sala começaram a me embicudar na barriga, nas costas e no rabo. O cara do zoológico gritava “cuidado, gente, que o bicho é bravo!”, enquanto me batia com um chicote.

Depois que viram que era eu, a minha professora até brincou:

– É, esse foi um verdadeiro “sossega macaco” hein Rogerinho!

Eu respondi que foi mesmo, mas não consegui segurar a lágrima que desceu do meu olho.

Psicólogo

Um dia, meus pais vieram conversar comigo. Eles falaram que eu estava muito desobediente e precisava de ir num psicólogo. O meu pai marcou uma consulta pra mim com um amigo dele. Eu fiquei preocupado, porque o psicólogo poderia achar que eu sou doido, aí meu pai iria me bater. Pensei assim:

– Qualquer coisa que o cara perguntar, eu vou responder de um jeito que ele não pense que eu sou doido.

No dia da consulta, fui de terno e gravata para o amigo do meu pai não desconfiar que eu era skatista. Ele, logo que me viu, fez uma cara de espanto e começou a fazer anotações num bloquinho.

Pediu para eu me sentar. Eu me sentei devagarinho, para parecer educado. O cara fez mais algumas anotações e disse que iria me dar alguns testes para analizar a minha personalidade.

Os testes eram muito fáceis. Parecia coisa de pré-primário. Eu estava confiante que iria me sair bem.

Mostrei que estava bem informado sobre as guerras atuais: desenhei o Osama Bin Laden fazendo um atentado e o Saddam Hussein jogando armas químicas na população. O psicólogo disse que ia analisar os papéis e passar o resultado para o meu pai.

Uma semana depois, quando eu até já tinha esquecido disso, cheguei em casa e vi a minha mãe chorando:

– Ai meu Deus, meu filho tem problema!

Meu pai estava do lado dela com um papel na mão – o resultado do teste. Ele me mostrou, e estava escrito que eu era “maníaco patológico”. Falou que eu não tinha jeito e que já tinha reservado uma vaga pra mim na FEBEM.

Caminhei triste para o meu quarto e vi que as minhas roupas já estavam todas numa mala. Foi quando senti uma dor de repente – era meu pai me batendo com o cinto.

Um dia eu estava andando no centro da cidade e fui parado por um gordinho. Ele me perguntou se eu queria oito balas por um real. Eu não tinha reparado bem, mas quando ele falou comigo eu percebi que era o Marquinhos das pegadinhas. Pensei:

– Hoje estou com sorte. Vou aparecer na televisão! Quando o povo do colégio souber, vão babar meu ovo demais!

Falei na hora que queria as balas. Tirei uma nota de um real do bolso e paguei o cara, já procurando a câmera. Depois que a pegadinha acabasse eu poderia até pegar um autógrafo com o Marquinhos. As meninas do colégio iam todas ficar a fim de mim!

Fiquei esperando para ver como seria do desfecho daquela brincadeira de rua. O Marquinhos tirou um revólver da cintura e começou a atirar, mirando no meu pé. Eu estava tranqüilo, pois as balas deveriam ser de chumbinho. Mas aí eu vi que estavam furando o chão.

Comecei a correr, porque a pegadinha estava real demais. Dois oito tiros, um acertou meu pé. Doeu pra caralho! Parecia até bala de verdade.

Voltei pra casa mancando e contei o que aconteceu para os meus pais. A minha mãe fez um curativo e conseguiu tirar do meu pé a bala (calibre 38).

Naquela noite, eu e meu pai ficamos assistindo o programa do Jõao Kléber para ver a pegadinha que eu participei. Liguei pra todos os meus colegas, avisando. Mas a pegadinha não passou. Meu pai disse que eu era mentiroso e me bateu com o cinto.

Mensagem subliminar

Durante uma aula de geografia, a professora marcou um trabalho em grupo sobre Osama Bin Laden. Chamei logo o meu grupo de sempre: Dioguinho, Carlinha e Felipinho CDF.

Combinamos de reunir domingo pra fazer o trabalho. Dioguinho veio com uma idéia que eu gostei mundo – colocar uma mensagem subliminar na hora da apresentação.

Fiquei a semana inteira esperando pelo domingo, pensando em qual mensagem a gente ia colocare. Passavam várias coisas pela minha cabeça. Eu queria usar uma mensagem que controlasse todos.

Reunimos domingo. Deixei os CDFs fazendo o trabalho no Powerpoint, enquanto eu e Dioguinho resolvíamos qual seria o conteúdo da mensagem.

Chegamos à conclusão que o trabalho teria três mensagens ocultas. Uma seria para que a professora desse total ao trabalho. Outra era para que a Viviane, uma menina da nossa sala, ficasse a fim do Dioguinho. A última influenciaria todos os alunos a fazer um atentado contra um aluno no dia 11 de setembro.

Para que o serviço ficasse bem completo, colocamos várias luzes coloridas piscando junto com os textos. Fiquei feliz. Íamos dominar a mente de todo mundo do colégio!

Na hora do trabalho, eu saí da sala para não ser afetado pela tramóia. Fiquei na porta do auditório para escutar o que aconteceria. Quando começou a apresentação, ouvi um barulho nojento, parecia que todo mundo tinha vomitado.

Entrei no auditório para ver o que aconteceu, mas quando olhei para o telão, comecei a ficar meio doido, ter alucinações e vontade de vomitar.

Acordei alguns dias depois na enfermaria do colégio, junto com um monte de gente. Fiquei sabendo lá que o plano deu certo: a professora deu total no trabalho, a Viviane quis ficar com o Dioguinho e o Felipinho sofreu um atentado no colégio (e quase morreu).

Ontem, depois de dois meses de namoro, a Carlinha me deu o ultimato – ou eu ia conhecer os pais dela ou estaria terminado o namoro. Não teve jeito, tive que ir.

Eu estava meio nervoso nesse dia, mas não estava com medo. Estava só meio preocupado com o que os pais dela iriam achar de mim. Nesse dia eu vesti uma camisa Polo e uma calça social para que eles não desconfiassem que eu era skatista (esse povo velho é chato pra caralho…).

Como combinado, cheguei lá bem limpinho, na hora do almoço. Dei um beijo na bochecha da Carlinha para que os pais dela não desconfiassem que o namoro era sério (esse povo implica com tudo…).

A mãe dela foi muito gentil comigo, arrumou um lugar para eu sentar. Mas o pai dela me olhou com uma cara feia, parecia que ele estava passando fome há um mês. Apertou a minha mão forte pra caralho, tive que juntar meus dedos dentro da mão dele para não quebrarem.

Eu já estava nervoso, e depois disso a coisa piorou. É que eu cheguei lá com uma vontadezinha de cagar, mas nada muito sério. Quando o pai dela apertou minha mão daquele jeito, senti tanto medo que me bateu uma caganeira braba. Me segurei na cadeira como pude.

Então, a mãe dela começou a servir o almoço. Era uma feijoada. Fiquei com medo de colocar aquilo na boca, com aquela caganeira iminente. Comi só um pouco e perguntei onde era o banheiro.

– Pega o corredor à direita, segue 10 portas, depois pega o outro corredor e entra na segunda porta à esquerda.

Não entendi onde era. Pensei “puta merda, por que essa menina tinha que ter uma casa tão grande?”. No caminho encontrei uma janela bem grande e arejada. Fiquei parado lá, tomando um ar para ver se a vontade de cagar passava. Era até melhor, porque ficar um tempão cagando no banheiro dela, logo no primeiro dia, não pegava bem.

De repente eu senti um aperto na barriga, uma coisa fortíssima. No susto, desceu tudo pela minha calça social branca. Virei pra trás e vi que foi a minha namorada que tinha apertado a minha barriga, querendo me fazer uma surpresa. Ao lado, estavam os pais dela. A mãe dela trouxe uma toalha para eu me limpar. O pai dela começou a rir e a me chamar de cagão.